sábado, 3 de agosto de 2019


XADREZ
Luis Alberto Passos Presa
Porto Alegre, 1975. Tinha 18 anos. Trabalhava na Varig como eletricista de aviões. Estudava à noite. Iniciei no xadrez com meu pai em 1972, na época do match Fischer X Spassky pelo título mundial. Vi no jornal Correio do Povo na coluna de Italo Travi o endereço do Xadrez Clube. Associei-me. Frequentava principalmente aos sábados.
Na cantina ficava o Sr. Breno: - telefone! Depois foi a Dona Norma por muitos anos. Fui bem recebido. Frequentavam Menna Barreto, Luiz Ney, Rogério Becker, Tadeu, Crespo, Licurgo, Everard, Armínio, Schwartz, Itamar,Torres, Pfeiffer, Plínio, Calatayud, Moura, Serpa, Trois, Serginho, Assis e muitas outras ilustres personalidades.
Havia camaradagem, cultura geral, bom humor. Rui (andru; vai de à cavalo; deu-se a melosa; ataca por trás o rei do rapaz). Frisina, Hugo, Ilha, Ferreirinha, Paulinho, Carlos, o eterno tesoureiro Honório, Egon, Rotta, Mozart, a turma da janela, a turma do meio, a turma dos sábados, Aron, Barbosa, Marcio, Schossler, Kajiwara, Terra, Benevenga, Paulo Sergio, Jacinto, Walter, Zimmer, Miguel, Samuel, Jean Noble, Freiberger! E muitos outros que não lembro o nome. Às vezes havia chopp após o encerramento das atividades enxadrísticas do Edifício Mercúrio, 10º andar.
Estudava Psicologia na PUCRS. Formei-me em 1987. Em 1988 fui campeão da categoria “A”. Nessa época houve a festa de 50 anos do MXC.


Tinha consultório no centro de Porto Alegre. Em 1990 mudei-me para Manaus onde resido atualmente. Fundamos o Curso de Psicologia da UFAM. Cursei Mestrado na UFRGS e Doutorado na USP.
Se tivesse me dedicado ao xadrez hoje não teria a titulação acadêmica que gera renda e qualidade de vida. Muitos talentosos colegas enxadristas vivem em difícil situação financeira, haja vista que o xadrez no Brasil é pouco valorizado como profissão.
Sou grato pelo que aprendi com os colegas enxadristas frequentando o MXC. Continuarei aparecendo eventualmente! Porque “o Xadrez é imortal”. Continuo “mexendo as peças” quando possível, como ginástica mental. E incentivando os jovens.
Enfatizo minha admiração àqueles que mantêm o MXC funcionando desde 1937, coisa nada fácil com a concorrência da Internet. O xadrez presencial não desaparecerá enquanto houver enxadristas amparados por um grupo de abnegados como a atual Diretoria presidida pelo Coronel Waldir Rabuske.


Manaus, 2019

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